O Nada: Considerações filosóficas sobre um tema-limite
Abstract
Este artigo examina criticamente o conceito de “Nada absoluto” a partir de uma perspectiva lógico-metafísica
rigorosa. Defende-se que o Nada, enquanto negação do Ser, não pode subsistir como conceito primário,
autônomo ou positivamente articulável sem incorrer em contradição performativa. Com base na tese de que
o Ser é condição metafísico-ontológica necessária de toda proposição (S(Ⓣ(φ))), demonstra-se que toda
tentativa de enunciar o Nada absoluto o converte, inevitavelmente, em positividade linguística ou conceitual,
traindo sua própria definição. O texto examina criticamente autores como Heidegger, Hegel, Sartre, Graham
Priest e Alain Badiou, mostrando que qualquer esforço para positivar o Nada absoluto, seja ontologicamente,
logicamente ou fenomenologicamente, colapsa ao depender do próprio Ser para sua formulação. Conclui-
se que o Nada absoluto não é ontologicamente pensável, logicamente consistente, nem linguisticamente
referenciável, sendo apenas um limite negativo que demarca a impossibilidade do pensamento fora do Ser.